quinta-feira, 29 de março de 2012

Some palavra; aparece tinta...

De novo.







Salvador, terra de todos os deuses:



29 de março de 2012: Parabéns, São Salvador da Bahia de Todos os Santos.
463 anos de fundação.

No meio da rua...



And I heard, as it were, the noise of thunder: One of the four beasts saying: "Come and see." And I saw. And behold, a white horse.

There's a man goin' 'round takin' names. An' he decides who to free and who to blame. Everybody won't be treated all the same. There'll be a golden ladder reaching down. When the man comes around.

The hairs on your arm will stand up. At the terror in each sip and in each sup. For you partake of that last offered cup, Or disappear into the potter's ground. When the man comes around.

Hear the trumpets, hear the pipers. One hundred million angels singin'. Multitudes are marching to the big kettle drum. Voices callin', voices cryin'. Some are born an' some are dyin'. It's Alpha's and Omega's Kingdom come.

And the whirlwind is in the thorn tree. The virgins are all trimming their wicks. The whirlwind is in the thorn tree. It's hard for thee to kick against the pricks.

Till Armageddon, no Shalam, no Shalom. Then the father hen will call his chickens home. The wise men will bow down before the throne. And at his feet they'll cast their golden crown. When the man comes around.

Whoever is unjust, let him be unjust still. Whoever is righteous, let him be righteous still. Whoever is filthy, let him be filthy still. Listen to the words long written down, When the man comes around.

Hear the trumpets, hear the pipers. One hundred million angels singin'. Multitudes are marchin' to the big kettle drum. Voices callin', voices cryin'. Some are born an' some are dyin'. It's Alpha's and Omega's Kingdom come.

And the whirlwind is in the thorn tree. The virgins are all trimming their wicks. The whirlwind is in the thorn tree. It's hard for thee to kick against the pricks.

In measured hundredweight and penny pound. When the man comes around.

And I heard a voice in the midst of the four beasts, And I looked and behold: a pale horse. And his name, that sat on him, was Death. And Hell followed with him.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Millôr, 16/08/1923-27/03/2012 III

Millôr, 16/08/1923-27/03/2012 II

Millôr, 16/08/1923-27/03/2012

Tabucchi est parti...

Un jour, Antonio Tabucchi a fait la rencontre de sa vie. Le genre de révélation qui peut illuminer une existence ou au contraire la stériliser lorsque le coupable et la victime sont tous deux des écrivains. C’était dans les années 60 à Paris. Tabucchi, alors professeur d’université (sa profession jusqu’au bout, selon son passeport, et non "écrivain") à Sienne, venait de découvrir par hasard la personne et l’univers de Fernando pessoa. De ce choc, né de la seule lecture du poème Bureau de tabac dans sa version française, il ne se remit jamais.

Para quem quiser continuar lendo: http://passouline.blog.lemonde.fr/2012/03/26/pour-saluer-antonio-tabucchi/#xtor=RSS-32280322

segunda-feira, 26 de março de 2012

JGR por ele mesmo VII

"Chapéu com nove letras - dezenove, nove - tapatrava..."
"Aqui  - pleno delírio do autor, ao que hoje me parece... -  Creio que Você terá de omitir a maluqueira".
"Em todo caso: no sertão, onde, como Você está sentindo e vendo, a magia é inseparável de todos os apectos da vida, os valentões costumam às vezes trazer letras, cabalísticas, escritas, digo, gravadas, no chapéu-de-couro, ou em papeizinhos enfiados no respectivo forro; para virtudes várias, proteção perante o destino"
"No caso do Soropita: o 'dezenove, nove' é alusão, 'apocalíptica', a trecho do APOCALIPSE:
APOC., 19 : 12 : 'habens nomem scriptum, quod nemo novit nisi ipse'.
APOC., 19 : 9 : 'Et dixit mihi : Scribe'". (Carta a Edoardo Bizzarri, de 19 de novembro de 1963)

domingo, 25 de março de 2012

JGR por ele mesmo VI

"Até hoje, para não se entender a vida, o que de melhor se achou foram os relógios. É contra eles, também, que teremos que lutar..." (No último Prefácio para Tutaméia).

O Recôncavo, meu medo



"E eu não tenho pátria, tenho mátria e quero frátria".

JGR por ele mesmo V

“Penso desta forma: cada homem tem seu lugar no mundo e no tempo que lhe é concedido. Sua tarefa nunca é maior que sua capacidade para cumpri-la. Ela consiste em preencher seu lugar, em servir à verdade  e aos homens. Conheço meu lugar e minha tarefa; muitos homens não conhecem, ou chegam a fazê-lo quando é demasiado tarde. Por isso, tudo é muito simples para mim, e só espero fazer justiça a esse lugar e a essa tarefa. Veja como meu credo é simples. Mas quero ainda ressaltar que credo e poética são uma mesma coisa. Não deve haver nenhuma diferença entre homens e escritores; esta é apenas uma maldita invenção dos cientistas, que querem fazer deles duas pessoas totalmente distintas. Acho isso ridículo. A vida deve fazer justiça à obra, e a obra à vida. Um escritor que não se atém a esta regra não vale nada, nem como homem nem como escritor. Ele está face a face com o infinito e é o responsável perante o homem e perante a si mesmo. Para ele não existe uma instância superior. Para que você não tenha que me interrogar a esse respeito, gostaria de explicar meu compromisso,meu comprimisso do coração, e que considero o maior compromisso possível, o mais importante, o mais humano e acima de tudo o único sincero. Outras regras que não sejam este credo, esta poética e este compromisso não existem para mim, não as reconheço. Estas são as leis de minha vida, de meu trabalho, de minha responsabilidade. A elas me sinto obrigado, por elas me guio, para elas vivo. Mesmo com a melhor boa vontade não posso fazer mais confissões, porque tudo que possa me acontecer na vida está contido aí, ou não vale a pena ser chamado de confissão” (Em entrevista a Günter Lorenz em janeiro de 1965).

É o coração quem vê

Depois de um ano, agora sozinho,
Percorri paisagens de mim,
E que vivi, que há um ano vi,
Na mais perfeita companhia.
Sentimento estranho: de estar tudo lá...
Menos eu, que sem ela não me vejo.
É o coração quem vê, eis a razão.












Razões do coração, é o que se diz.

Missa das onze e meia


5º Domingo da Quaresma
25 de março de 2012

"Criai em mim um coração que seja puro" (Salmo 50(51), 12).

sábado, 24 de março de 2012

JGR por ele mesmo IV

"A estória não quer ser História. A estória, em rigor, deve ser contra a História" (No primeiro Prefácio para Tutaméia)

JGR por ele mesmo III


“Eu, quando escrevo um livro, vou fazendo como se o estivesse “traduzindo”, de algum alto original, existente alhures, no mundo astral ou no “plano das ideias”, dos arquétipos, por exemplo. Nunca sei se estou acertando ou falhando, nessa “tradução”. Assim, quando me “re”-traduzem para outro idioma, nunca sei, também, em casos de divergência, se não foi o Tradutor quem, de fato, acertou, restabelecendo a verdade do “original ideal”, que eu desvirtuara” (Carta a Edoardo Bizzarri, de 4 de dezembro de 1963).

quinta-feira, 22 de março de 2012

quarta-feira, 21 de março de 2012

JGR por ele mesmo I

" Desconfio que sou um individualista feroz, mas disciplinadíssimo. Com aversão ao histórico, ao político, ao sociológico [...] Sou só religião - mas impossível de qualquer associação ou organização religiosa: tudo é o quente diálogo (tentativa de) com o infinito" (Carta de João Guimarães Rosa a Vicente Ferreira da Silva, de 21 de maio de 1958).

O que se conta

"Conto ao senhor é o que eu sei e o senhor não sabe; mas principal quero contar o que não sei se sei e que pode ser que o senhor saiba" (Riobaldo).

terça-feira, 20 de março de 2012

Il faut comprendre et sauver

"On le voit, toute réflexion sur le mythe engage notre modernité, puisque nous nous trouvons à ce moment de l´Histoire où le récul est suffisant pour pouvoir considérer de l´extérieur le mythe en tant que tel: il apparâit alors comme extraordinairement contemporain, si nous prenons garde, comme nous y engage Ricouer, à considerer dans le mythe ce qu´il détient de profondément symbolique, mariant sans effort ces contraires que la pensée logique déclare incomplatibles. En cela, justement, la pensée mythique est le reflet inattendu des découvertes de la science d´ajourd´hui: les théories de M. Planck et la physique quantique postulent des niveaux differents de la réalité, permettant à la pensée de quitter les ornières de la logique binaire dans la perpective d´une interprétation unitaire de l´universe. Qui s´étonera alors de ce qu´un G. Durand revendique une nouvelle attitude herméneutique tenant compte de la nature particulière d´un langage autre? Il faut, dit-il, 'abandonner le dualisme langagier (...) pour un langage (...) plus discontinu, tantôt ceci, tantôt cela, autant guidé par la synchronicité du présent que par le passé causal'. Et de préciser que 'le langage n´est donc pas antithétique, comme le croit la philosophye de Socrates à Hegel, il est à la fois métaleptique (...) et métabolique, c´est-à-dire répétitif et différentiel à la fois'" (André Siganos, em Le minotaure e son mythe).

Semana Santa em SJDR



O Museu Regional de São João del-Rei apresenta um programa imperdível para a Semana Santa na cidade

Os visitantes que chegarem a São João del-Rei para o feriado de Semana Santa, na primeira semana de abril, poderão assistir ao recital de órgão de tubos do século XVIII, com a organista Elisa Freixo, que acontece na quinta-feira, dia 5, às 18h30min. O programa inclui, também, uma visita à exposição “Oratórios Mineiros dos Séculos XVIII e XIX”, apresentada pelo Museu Regional de São João del-Rei/IBRAM, na Sala de Exposições de Curta Duração.
A coleção de oratórios se formou durante as décadas de 1950 e 1960, quando a equipe de profissionais do então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), liderada pelo Dr. Rodrigo Melo Franco de Andrade deu início a aquisição de acervo para a montagem dos Museus Regionais de Minas Gerais. Na atualidade a coleção apresentada na exposição é memória, revelando um pouco da intimidade e do universo controlado das casas e o mundo de “harmonia e calma” administrado pelas mulheres.
O Museu Regional apresenta, ainda, coleções variadas em sua Exposição de Longa Duração. Para a semana santa destacam-se as peças da coleção de arte sacra, obras de grandes artistas, como Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, Mestre Piranga e Piranguinha. Escultores autodidatas que romperam com a tradição erudita europeia predominante na época, estes Santeiros do século XVIII produziram imagens sacras de grande valor histórico e estético.
Serviço:
Museu Regional de São João del-Rei/Ibram/MinC
Salas de Exposição de Longa Duração: de terça a domingo, de 12h30 às 17h30.
Sala de Exposições de Curta Duração: diariamente, das 9h às 18h.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O mensageiro Hermes



"O rancho era na borda-da-mata. De tarde, como estava sendo, esfriava um pouco, por pejo do vento - o que vem da Serra do Espinhaço - um vendo com todas as almas. Arrepio que fuchicava as folhagens ali, ia lá adiante, longe, na baixada do rio, balançar esfiapado o pendão branco das canabravas. (...) Me deu saudade de algum buritizal, na ida duma vereda em capim tem-te que verde, termo de chapada. Saudades dessas respondem ao vento, saudades dos Gerais. (...) E escutei o barulho, vindo de dentro do mato, de um macuco - sempre solerte. Em mês de macuco ainda passear solitário - macho e fêmea desaparelhados, cada um por si" (Riobaldo).

Aqui Hermes vai soprando as notas da Canção de Siruiz, o arranjado destino do herói.

Elle est toujours ici pour moi



I Can't Stop Loving You



(I can't stop loving you)
I've made up my mind
To live in memory of the lonesome times
(I can't stop wanting you)

It's useless to say
So I'll just live my life in dreams of yesterday
(Dreams of yesterday)
Those happy hours that we once knew

Tho' long ago, they still make me blue
They say that time heals a broken heart
But time has stood still since we've been apart

(I can't stop loving you)
I've made up my mind
To live in memory of the lonesome times
(I can't stop wanting you)

It's useless to say
So I'll just live my life in dreams of yesterday
(Those happy hours)
Those happy hours
(That we once knew)
That we once knew

(Tho' long ago)
Tho' long ago
(Still make me blue)
Still ma-a-a-ake me blue

(They say that time)
They say that time
(Heals a broken heart)
Heals a broken heart
(But time has stood still)
Time has stood still
(Since we've been apart)
Since we've been apart

(I can't stop loving you)
I said I made up my mind
To live in memory of the lonesome times
(I can't stop wanting you)
It's useless to say
So I'll just live my life of dreams of yesterday
(Of yesterday)

domingo, 18 de março de 2012

Rio não se corta com machado


Doce sopro de alecrim dourado de lua
Não me deixe aqui sozinho riachinho
Cachoeiras caindo indo lá esbarrar
Para não mais se saber notícia nenhuma
De riacho nenhum nenhum
Nada não pode ser esse murmurar
Alecrim dourado, velho velho
Faça parar.
Faça.
Se de novo renascer das águas todas
Todo farfalhar dos verdes verdes
Nunca mais há de ser o mesmo rio
E mesmo assim também outro nem
Nem e nunca tampouco jamais se
Alecrim dourado
Nenhum nenhum
Foi semeado
Foi.
Fé.

Missa das onze e meia


4º Domingo da Quaresma
18 de março de 2012

Amanhã, 19 de março, é dia de São José, o carpinteiro esposo de Maria.

+++

Nota de pesar:
Misteriosamente, o Governador do Estado comemorou seu aniversário hoje, 18, na missa. Ele nasceu a 7 de março. Sentou-na primeira fila, cercado de Altas Autoridades, com a igreja tomada de seguranças armados. Foi ele mesmo quem leu as preces da comunidade, e não me pareceu nem um pouco constrangido. Terminada a celebração, após receber flores e elogios da Igreja, saiu escondido para não ver a manifestação de Professores da rede pública que, do lado de fora, cobravam o cumprimento da lei do piso salarial.


sábado, 17 de março de 2012

Juntos, em Berlim

João Guimarães Rosa e Aracy Moebius de Carvalho ouviram juntos, em Berlim. Ele, depois, ainda ouviu sozinho, a pedido dele mesmo. Creio que ouvia, ainda, naquela última madrugada de domingo, antes que Ara saísse para a missa.





Espaços vividos e que voltam, na "poética migrante".

quinta-feira, 15 de março de 2012

Versão Zero

Dona Versão, a Primeira, já recebe críticas a esta altura. Saiu. Eu mesmo a levei até àquela pessoa que irá aplicar-lhe, coitada, os corretivos necessários. Coitada, pois a culpa pelos seus defeitos não é dela, é minha, filha minha que é. Estava que era um esqueleto só, encaveirada e pálida, mas, arre, aaaaaah, que os olhos brilhavam de um vivo assim, ara, ora, se brilhavam. Queriam que querem ser e significar, mostrar aquela pequenina luz, ora, ora, capaz de fazer o mundo. Está, nos entantos, coitada, muito frágil.

Como mudou, que coisa é isso! Quase nenhuma das ideias iniciais aparecem naquele texto... É... Aquele texto... Acadêmico. O texto está endireitado demais, limpo demais, arranjado demais. Eu sei, aprendi com Câmara Cascudo: "Barro também é caranguejo". De qualquer forma, tenho tempo ainda para sujá-lo. Ou melhor, sujá-lo de novo, devolver o barro ao caranguejo, as folhas ao pátio.

Foi.


quarta-feira, 14 de março de 2012

O travessão

- Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem, não. Deus esteja. Alvejei mira em árvore, no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto" (Riobaldo).

terça-feira, 13 de março de 2012

A Deus do céu vamos agradecer

Orson Welles filmando em Fortaleza. Sua "Inselência", Caymmi, e a Suíte dos pescadores.

Então, onde?


Chusma de trens todos muito estranhos, de muito talvez já soubesse. De pensar, dizer e escrever, para tudo carece ou pouca ou muita, um tanto será, de maquinação. Como se muito já se soubesse, mas quase um nadinha se pudesse. O texto, a teia, a figuração do diabo. Riobaldo mesmo, querendo entabular prosa com o demo, perguntava: "Posso me esconder de mim? Onde?", Então. O texto está pronto mas despaginado, eis tudo. Se quero despedaçar, como o outro fez, difícil demais é a paginação, a ordem. O arranjado confuso. Labirinto. Entanto, é como se eu dissesse: "Então, não existe? Existe? Então aparece, teia infernal. Manifeste-se, venha para diante dos meus olhos, para que possa ver, contemplá-la, arranjada como queira". Pois se é minha, nada mais justo que vê-la diante de mim. Não quer? Deus sabe.

Arre! Pois não estou dizendo: do lado de fora não há nada? Pois é isso. O espaço não guarda relação nenhuma nem com o real nem com o irreal. Quer que seja? Veja. Melhor: não veja. Será tudo o igual. O sempre mesmo, o que foi, que é. "O homem não é o sozinho? A pois". Escrevesse, como se nascesse. Assim, ia parecer ficar. 

domingo, 11 de março de 2012

Missa das onze e meia


3º Domingo da Quaresma
11 de março de 2012

"Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas (...). 'Tirai isso daqui'" (João, 2, 15-16)

Books no espaço

Valeu o Oscar (Curta de Animação):

sábado, 10 de março de 2012

Outra coisa é o espaço


"Seria necessário fazer uma crítica dessa desqualificação do espaço que vem reinando há várias gerações. Foi com Bergson, ou mesmo antes, que isso começou. O espaço é o que estava morto, fixo, não dialético, imóvel. Em compensação, o tempo era rico, fecundo, vivo, dialético".
(M. Foucault, 1988:159, na epígrafe de Espaço e literatura: introdução à topoanálise, do Prof. Ozíris Borges Filho, 2007, p.11)

sexta-feira, 9 de março de 2012

Eu sei que vou te amar



Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

Tom Jobim

A lua e o menino

quinta-feira, 8 de março de 2012

Saudade

Meu Deus, quanta saudade!
Quanta saudade, meu Deus,
um homem pode suportar?


Imagem: www.buziosonline.com.br

Fiéis do Amor II


“Se os olhos veem com amor, o corvo é branco; se com ódio, o cisne é negro”.
(Padre Antônio Vieira)

__

“Tem um não em todo sim, e as pessoas são muito variadas”.
(João Guimarães Rosa)

__

Se eu tivesse vivido na passagem do século XVII para o XVIII, ou na segunda metade do primeiro, juro por Deus que eu não perderia uma única missa do Padre Antônio Vieira. Aquele mesmo, variável, capaz da manobra mais arriscada com a palavra, sem se afastar jamais da linha que o conduziria exatamente ao que queria dizer desde o início. Homem reto por linhas tortas ou torto por linhas retas. Homem barroco, em que de tudo se pode ver um pouco. Depende dos olhos de quem observa e analisa. Padre Antônio Vieira era pactário? Com quem fez o pacto? Com o Rei decadente e infértil? Com o Reino na terra ou no Céu? Com a máquina mercante? Vieira precisa ser alcançado na dimensão das relações que viveu. Somente naquelas tensões se pode vislumbrar sua altura. Eu teria ido a todas as missas, mesmo que saísse mais cedo em algumas delas. Homem furiável, como o tempo presente?

É preciso compreender que a Idade Média está inteira, completamente toda, no Século das Luzes, no que veio depois e mesmo hoje, agora mesmo. Digo, reproduzindo: presente furiável, que se infiltra e fica. O suposto obscurantismo do medievo é ideia do iluminismo. Claro! Para que eu me afirme como Luz, preciso dizer que a sombra não está comigo. Para ter Razão chamo de louca a imaginação. Lembro-me da reação de Macunaíma, no centro de São Paulo, ao ouvir contarem um fragmento da história do Brasil: “Não é, não!”, ele disse. Porque contavam negando-o, preto retinto, filho da noite. Lógica inaceitável. Os tempos estão todos num só, e as cores também.

Como pode: a mãe ser filha do próprio filho? Maria é. Mulher.

___

“Vergine Madre, figlia del tuo figlio,
umile e alta piú che creatura,
termine fisso d´etterno consiglio;

Tu se´colei che l´umana natura
nobilitasti si, che ´l suo fattore
non disdegnò di farsi sua fatura.

Nel ventre tuo si raccese l´amore,
per ló cui caldo ne l´etterna pace
cosi è germinato questa fiore”.

(Dante ALIGHIERI, Commedia, PAR XXXIII, 1-9)