domingo, 16 de fevereiro de 2014

Tu te lembras?



Tu te lembras daquele abraço,
de reencontro e notícia de Zeus no ouvido?

Tu te lembras daquela estrada,
em que o mar, água tanta, passava por baixo?

Tu te lembras daquela Salvador,
em que chorei, sob chuva, cheio de certezas?

Então!

O reencontro [antes tão certo]...
hoje se confunde, evanescente:

névoas, nuvens, dores e fumaça de cigarros!


].Texto e imagem: Gilson.[

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Seguir vivendo...





Queria ser bem velho para poder ter visto se encontrarem e chegarem juntos a Belém os três reis do Oriente. Queria ter sabido como se encontraram. Contento-me em me deixar guiar pela poesia de Sophia.


Queria ser velho, mas muito velho mesmo. Ter todas as idades para poder ter visto, em campo, jogarem Pelé e Eusébio.





Quero ser mais que velho gagá, ãhã! Quero ficar um velho gagá, caquético e repetitivo, capaz de contar a mesma estória, para a mesma pessoa, dezenas de vezes. Para pessoas diferentes, contar-se-ia às centenas. Ah, ser um ancião. Quero ser translúcido: a luz passaria por mim, sem refletir, indicando que pouco de material restava. A caquexia será de grande ajuda: dois terços do que se produz no mundo, hoje, podem ser classificados como lixo, e eu estaria quase livre de ouvir e ver isso chegar perto dos quatro quintos. Esse ranço, graças a Deus, já é sinal de que estou envelhecendo. Na verdade, sempre senti essa nostalgia do Paraíso, que um dia sei que traduzirei por sonsice de velho. Ou, talvez, poesia. Isto será meu último orgulho. A minha sonsice de velho me elevará a senhor do meu silêncio, essa centelha divina que mora em mim e que, ainda jovem, a palavra trai.

Imagens: Google
Texto: Gilson. 


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A casa é sua



FELIZ ANO NOVO A TODO(A)S !!!

A lágrima fria corta a face direita, eu não lavo o chão para alguém ver; eu o lavo pra mim, meus olhos, pés. Gosto de sentir o frio limpo do contato de meus pés com o piso: posso me deitar ali se quiser. Não pinto as paredes para que alguém veja, para que alguém goste e elogie e queira comprar e sorrie, levantando os braços bem alto, batendo as mãos. Não, definitivamente. Corrijo as imperfeições das paredes porque as quero lisas para mim, para eu poder me recostar nelas, olhos perdidos no ar, longe nem sei de onde. A partir de mim é que me lanço. Eu sei que a casa é sua.




Vida Maria from Fernanda Guizan on Vimeo.


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Strong, strongly



FELIZ ANO NOVO !!

Começa assim o poema de Adélia [Prado]:

O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
Com seus olhos cediços,
Põe caco de vidro no muro
Para o amor desistir.
[...]

Chama-se “Corridinho” e é bonito.