terça-feira, 12 de novembro de 2013

madrugadas em silêncio



A chuva fina cai, lá fora, finalmente. O dia foi de intenso e quase insuportável calor. Agora o velho relógio da parede avisa, imperturbável, que já são mais de duas horas da manhã. Realmente tarde. O calor me fez dormir antes de anoitecer, depois de um banho que não aliviou o cansaço. Dormir tão cedo me faz estar acordado há mais de uma hora: parece que a esperava. Ela veio: a chuva fina cai, lá fora, finalmente.





sábado, 9 de novembro de 2013

Leituras



Perplexidade. Ao menos uma das chaves acredito que já ter em mãos: o primeiro parágrafo do conto “Argila”, do Joyce a ilustra. Lá está escrito, na tradução de Hamilton Trevisan:
“Esses bolos pareciam inteiros, mas de perto via-se que tinham sido cortados em longas fatias muito finas (...)”. 

Aí está.

Raríssimas de minhas ideias resistem. A miopia me ilude: a boa visão para o perto projetava no longe a figuração do conjunto, nunca me deixando ver de verdade o que estava perto: o detalhe da parte, os pedaços que, juntos, aí sim... Os pedaços cortados “em longas fatias muito finas” eu realmente nunca os vi. Nem nos livros nem na vida. Tenho mudado, no entanto.  A esperança é de que a minha aplicação nesse trabalho de desmontagem de minha leitura por imagens, lendo o mundo ou desmontando textos, não me deixe sem recuperar o conjunto, em que pese deva ser naturalmente outro, no comentário. 





quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Sophia

Quase me esqueço: ontem 06, foi aniversário de Sophia.
Vai a lembrança, em tempo.

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AUSÊNCIA

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen

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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

você, ainda...



Eu, de amores,
sei traços, pedaços, fragmentos... Rumores...
Humores...
O Amor eu conheço inteiro...
(dia cheio de chuva).
Todas as águas do meu ser
correm em sua direção.
Não é o amor a todos os pássaros,
não é o amor ao voo...
É o voo de um pássaro, na chuva,
e meu coração não descansa...






domingo, 20 de outubro de 2013

duzentos e vinte volts

Meu oiti floresceu em agosto: por pouco não via.


Na roça,
luz natural.
Principalmente sombra.

Na cidade,
muitos oitis e cegueira.
Principalmente: nem sabem da sombra.



terça-feira, 15 de outubro de 2013

primaveras



A noite encurta,
o sol seca quase tudo,
a chuva demora chegar...

O dia se alonga,
a lua é a mesma,
o céu desenha-se assim...

Nem parece.

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Texto e imagem: Gilson.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Dona Marita

Mulher que,
da filha,
pedi a mão e ofereci meu destino.
Minha saudade.
São 13 fotos de hoje à tarde.

















Texto e imagens: Gilson.


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Fio






Num fio de linha suspenso,
pairando dentro do ar, o beija-flor ao longe
negro, negro contra este céu azul bonito.

Abismos colossais ignorados
pelo vivente que nem tem notícias da cor:
para o filho do vento tudo é transparência.

Precipícios são vividos com a leveza
do ar, verde – ouro desconhecido – todos.

Num desses abismos
dorme hoje a esperança.

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Imagem: João Clemente: http://olhares.uol.com.br.
Texto: Gilson.