quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Umbigo do mundo


Sobre o mourão de uma porteira de cercado para bois e vacas,
um dia, há muito tempo, e longe,
foi deixado, sob chuva e
ofertado aos deuses,
por minha mãe
o meu
um
bi
go
se
co
...
..
.

Serra das Araras-MG (Foto: Imaginário)



terça-feira, 6 de novembro de 2012

Prêmio Dardos 2012


Entre surpreendido e contente, recebo do querido blog www.arteseescritas.blogspot.com.br a indicação para compartilhar o Prêmio Dardos 2012.

Este humilde espaço imaginário não se julga merecedor de prêmio algum e gostaria muitíssimo de compartilhá-lo com todos os seus seguidores, esses sim, suas verdadeiras riquezas e motivos para que ele continue existindo. As regras para receber o prêmio estão listadas a seguir e apenas para não quebrar nenhuma delas (especialmente quando se trata da regra 3 !) é que listo os quinze endereços para compartilhar esta distinção.



As regras:

1. Exibir a imagem do selo em seu blog;
2. Lincar o blog pelo qual recebeu a indicação;
3. Escolher outros quinze blogs a quem entregar o prêmio dardos
4. Avisar os escolhidos.
A seguir os meus indicados (e devo dizer que me custou para limitá-los a quinze):


Obrigado, Yayá !!
Grande abraço. Considerei a lembrança também como se me desculpasse pelo sumiço. 

domingo, 4 de novembro de 2012

Casas e moradas


Andrômeda (Fonte: Observatório Astronômico-UFMG)


O que penso, às vezes, é que a vida é viajante e que se hospeda em mim, como se num hotelzinho reles – o que o meu corpo seria só.



Missa das onze e meia

Diamantina-MG (Foto: Imaginário)

31º Domingo do Tempo Comum - Todos os Santos e Santas
04 de novembro de 2012

"E um dos Anciãos falou comigo e perguntou: 'Quem são esses vestidos com roupas brancas? De onde vieram?' Eu responde: 'Tu é que sabes, meu senhor'. E então ele me disse: 'Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro'" (Apocalipse de João 7, 13-14).



domingo, 28 de outubro de 2012

Intuição do instante II



Muito raro é viver hoje
(na verdade, o que seria recomendável).
Mais comum é viver ontem ou amanhã e até depois.

Difícil capturar o momento; intuir o instante.
(Única realidade do tempo: um quase nada).

Dramático mesmo é vi(ver) a volúpia demoníaca do amanhã,
(que consiste na sua vontade inconfessada de não existir:
de ser logo ontem, desde sempre o que nunca foi e jamais será).

Eis o dilema da fotografia: ela captura o instante,
mas o retira do tempo, seu espaço de caminhar.

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Poética

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.”

Vinicius de Morais
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“Maiores vezes, ainda fico pensando. Em certo momento, se o caminho demudasse – se o que aconteceu não tivesse acontecido? Como havia de ter sido a ser? Memórias que não me dão fundamento. O passado – é ossos em redor de ninho de coruja... E, do que digo, o senhor não me mal creia: que eu estou bem casado de matrimônio – amizade de afeto por minha bondosa mulher, em mim é ouro toqueado. Mas – se eu tivesse permanecido no São Josezinho, e deixado por feliz a chefia em que eu era o Urutu-Branco, quantas coisas terríveis o vento das nuvens havia de desmanchar, para não sucederem? Possível o que é – possível o que foi. O sertão não chama ninguém às claras; mais, porém, se esconde e acena. Mas o sertão de repente se estremece, debaixo da gente... E – mesmo – possível o que não foi. O senhor talvez não acha?” 

Riobaldo/Guimarães Rosa, em Grande sertão: veredas






Ilhéus-BA (Fotos: Imaginário)


Missa das onze e meia

Uma tarde em Salvador-BA (Foto: Imaginário)

30º Domingo do Tempo Comum
28 de outubro de 2012

Se a vida vem em ondas, como diz a canção popular, a fé deve vir aos saltos:

“O filho de Timeu, Bartimeu, cego e mendigo, estava sentado à beira do caminho. Quando ouviu dizer que Jesus, o Nazareno, estava passando, começou a gritar: ‘Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim!’ Muitos o repreendiam para que se calasse, mas ele gritava mais ainda. (...) Então Jesus parou e disse: ‘Chamai-o’. Eles o chamaram e disseram: ‘Coragem, levanta-te, Jesus te chama!’ O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus” (Marcos 10, 46-50).

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Temporão



Maior invenção não há,
Nem adianta procurar.
O tempo, esse que o relógio dá, é o que há.
Mas então pra quê, pois me diga, seu Manoel,
Por que mexer na convenção ancestral?

Economia? Não escrevo sobre política!

Chego atrasado ao trabalho, corro, aos tropeções,
Catando coisas, esquecendo outras...
Tudo porque me tiram uma hora, assim...
Me tiram uma hora de um tempo que já me falta.

Nada me fará tomar banho às cinco horas!!
Vá tomar banho às cinco quem quiser... Eu, não!!
Eu preciso de todo o tempo do mundo;
quero minha hora de volta, e é urgente isso!