domingo, 9 de setembro de 2012

Acordes


A cor
do som
da solidão,
nas cordas da viola,
meu coração também acorda.

Rio São Francisco (Foto: Imaginário)

Rio São Francisco (Foto: Imaginário)
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A canção de Siruiz

(Guimarães Rosa, em Grande sertão: veredas).

“Urubu é vila alta,
mais idosa do sertão:
padroeira, minha vida –
vim de lá, volto mais não...
Vim de lá, volto mais não?...

Corro os dias nesses verdes,
meu boi mocho baetão:
buriti – água azulada,
carnaúba – sal do chão...
        
Remanso de rio largo,
viola da solidão:
quando vou p’ra dar batalha,
convido meu coração..." 

 









Missa das onze e meia

Rosário e Pilar em SJDR (Foto: Imaginário)

23º Domingo do Tempo Comum
9 de setembro de 2012

"Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como cervo e se desatará a língua dos mudos, assim como brotarão águas no deserto e jorrarão torrentes no ermo. A terra árida se transformará em lago, e a região sedenta, em fontes d`água" (Isaías 35, 5-7a).

domingo, 2 de setembro de 2012

Vertigens e miragens de tempos, sons e espaços

(Imagem: Imaginario)

(Des)entardesceres

Na pracinha do bairro, o homem se assusta : descobre que a pracinha, no final dos dias, sol indo... – as luzes do dia e da noite se encontrando – é um bom lugar! Um homem que se vê envelhecendo – não se sabe se sem mais nem menos – dias inteiros se [re]fazendo... Desde então pensa vestir mais bermuda; calçar mais vezes chinelos franciscanos... Agora mesmo está na loja, comprando um chapéu de feltro – é preciso abrigar do sol o velho blues mineiro, que se ouve sempre logo de manhã.

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“Queria eu lá viver perto de chefes? Careço é de pousar longe das pessoas de mando, mesmo de muita gente conhecida. Sou peixe de grotão. Quando gosto, é sem razão descoberta, quando desgosto, também. Ninguém, com dádivas e gabos, não me transforma. (...). Coração cresce de todo lado. Coração vige feito riacho colominhando por entre serras e varjas, matas e campinas. Coração mistura amores. Tudo cabe” (Riobaldo, em Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa).






Last Walk Around Mirror Lake - Boom Bip (Boards of Canada Remix) from FroschYankee on Vimeo.



Missa das onze e meia


22º Domingo do Tempo Comum
02 de setembro de 2012

"Recebei com humildade a Palavra que em vós foi implantada, e que é capaz de salvar as vossas almas" (Carta de Tiago 1, 21b).


domingo, 26 de agosto de 2012

Sono de pedra e outros sonos


Espaços entre os traços.
– a linha percorre os abstratos,
matemáticos vazios posicionados.
Série de pontos mínimos.
– inacessíveis.
Redes de ausências.
– essências espaciais:
alguma forma de esperança.
Eu não gosto de cálculos;
Gosto de sonhos...
E de palavras mágicas!
Desenhos de nuvens me encantam e
sorrisos instantâneos também.

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Num dos prefácios de Tutaméia, João Guimarães Rosa anota, depois de epígrafe, em que se lê que “A matemática não pôde progredir, até que os hindus inventassem o zero”: “Meu duvidar é da realidade sensível aparente – talvez só um escamoteio das percepções (...) Porém procuro cumprir, (...), empírico modo ensina: disciplina e paciência. Acredito ainda em outras coisas, no boi, por exemplo, mamífero voador, não terrestre” (p.148). O autor coloca o leitor exatamente no lugar desejado: na atitude de suspensão do paradigma da racionalidade (“realidade sensível aparente”, “empírico modo”), e de abertura para a imaginação (“boi, mamífero voador, não terrestre”). Para acrescentar, logo em seguida: “Tudo se finge, primeiro; germina autêntico é depois. Um escrito, será que basta? Meu duvidar é uma petição de mais certeza”. No balanço do pêndulo entre o racionalismo objetivo aristotélico e o idealismo subjetivo platônico, restam claros um convite e a posição de fala do autor/narrador.

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LAS SEIS CUERDAS

La guitarra,
Hace llorar a los sueños.
El sollozo de las almas
perdidas,
se escapa por su boca
redonda.
Y como la tarántula
teje una gran estrella
para cazar suspiros,
que flotan en su negro
aljibre de madeira.

FEDERICO GARCÍA LORCA, em “Canto jondo”.