Quantas
palavras me saem da necessidade
Tão minha de
dizer o que não consigo calar!
Quantas me
saem pelas metades nos sons e
Na sintaxe,
facilmente ininteligível e seca!
Quantas
vezes, noites inteiras, sonhei aqui,
Imaginando
estar ajudando-a a ler o texto.
Sei ler?
Talvez. Escrever me escapa, voa...
Perdem-se as
palavras no berço da recepção.
Sei que
ainda queria estar aí, com você,
Traduzindo um
texto impossível.
Mas sinto
que queria estar longe, na praia distante,
Ouvindo um
coração que também sente a ausência.
Você não
acredita mais em nós, você definiu
Muitas vezes
o fim do casal. Que eu insisti existir.
Mas depois
de tanto tempo uma brisa de mar,
me anima a
sentir desejos de braços não seus.
Quantas
dores vive tanta gente. Quantas!
Aprendi a
ver almas. A senti-las e sofrer.
Aprendi a
caminhar em meio a espinhos,
Reconhecendo
raros e preciosos lírios...
Que não se
deviam perder por nada.
São pedaços
de mim mesmo que procuro encontrar.
O enlutado não
sabe exatamente o que perdeu.
O
melancólico sabe muito bem que perdeu seu próprio eu.
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“Estudar
a separação amorosa
significa estudar a presença da morte em nossa vida. A ruptura amorosa corresponde a um
sentimento equivalente a assistir a própria morte” (IGOR CARUSO).