Estive de passagem pela cidade de Valença, Bahia, há
mais de um ano e é impressionante como, ainda hoje, a beleza do lugar, especialmente aquela das
proximidades do Rio Una, está presente em minha memória. Ultimamente, além das atrações tradicionais que
oferece, Valença é uma espécie de posto de apoio para quem está a caminho da
ilha de Morro de São Paulo, o que movimenta ainda mais o porto e aumenta a circulação
de embarcações no Rio Una.
Hoje, dia de greve no trabalho, e nas horas que
apareceram por conta disso, entre a construção do meu texto, as inúmeras
dúvidas que se desdobram dia após dia, a saudade fez voltas em volta de mim e,
por alguma razão que desconheço, me levou de volta a Valença-BA. E às suas águas
todas.
Ubiquidade
Estás em
tudo que penso,
Estás em
quanto imagino;
Estás no
horizonte imenso,
Estás no
grão pequenino.
Estás na
ovelha que pasce,
Estás no rio
que corre:
Estás em
tudo que nasce,
Estás em
tudo que morre.
Em tudo, nem
repousas,
Ó ser tão
mesmo e diverso!
(Eras no
início das cousas,
Serás no fim
do universo.)
Estás na
alma e nos sentidos.
Estás no
espírito, estás
Na letra, e,
os tempos cumpridos,
No céu, no
céu estarás.
MANUEL
BANDEIRA, Petrópolis-RJ, 11 de março de 1943.
