domingo, 27 de maio de 2012

Eu e você


"Nenen,...
Infância,
Medo,
Morrer,
Pai,
Mãe... 
Eu e você".

Horizontes


Um corpo que cai poderia ser um homem a voar lindamente.
Não
fosse
a
rua
à
sua
frente.




Mito e linguagem



“Se até aqui nos esforçamos por desvendar a raiz comum da conceituação linguística e mítica, surge agora a pergunta de como se reflete esta conexão na estrutura do ‘mundo’ da linguagem e do mito. Manifesta-se aqui uma lei que tem a mesma validade para todas as formas simbólicas e que determina essencialmente seu desenvolvimento. Nenhuma destas formas se apresenta, de pronto, como configuração isolada, existente por si, reconhecível em si mesma, mas todas se desprendem aos poucos de sua mãe-terra comum que é o mito”

CASSIRER, Ernst. Linguagem e mito. Editora Perspectiva, 2009.


Missa das onze e meia


Solenidade de Pentecostes
27 de maio de 2012

"Moravam em Jerusalém judeus devotos, de todas as nações do mundo. Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua [daqueles] própria língua.

"Cheios de espanto e admiração, diziam: 'Esses homens que estão falando não são todos galileus? Como é que nós os escutamos na nossa própria língua? Nós que somos partos, medos e elemitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; judeus e prosélitos, cretences e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua!" (Atos 2, 5-11).

Muitas Minas Gerais II



Perguntado sobre suas origens e suas fontes, pelo jornalista alemão Günter Lorenz, João Guimarães Rosa teria assim se manifestado:

“[Você chamou-me ‘o homem do sertão’]. Nada tenho em contrário, pois sou um sertanejo e acho maravilhoso que você deduzisse isso lendo meus livros, porque significa que você os entendeu. Se você me chama de ‘o homem do sertão’ (e eu realmente me considero como tal), e queremos conversar sobre este homem, já estão tocados no fundo os outros pontos. É que eu sou antes de mais nada este ‘homem do sertão’; e isto não é apenas uma afirmação biográfica, mas também, e nisto pelo menos eu acredito tão firmemente como você, que ele, esse ‘homem do sertão’, está presente como ponto de partida mais do que qualquer outra coisa.

“(...) Devo dizer-lhe que nasci em Cordisburgo, uma cidadezinha não muito interessante, mas para mim sim, de muita importância. Além disso, em Minas Gerais; sou mineiro. E isto sim é o importante, pois quando escrevo, sempre me sinto transportado para esse mundo. Cordisburgo. Não acha que soa como algo muito distante? Sabe também que uma parte de minha família é, pelo sobrenome, de origem portuguesa, mas na realidade é um sobrenome suevo que na época das migrações era Guimaranes, nome que também designava a capital de um estado suevo na Lusitânia? Portanto, pela minha origem, estou voltado para o remoto, o estranho. Você certamente conhece a história dos suevos. Foi um povo que, como os celtas, emigrou para todos os lugares sem poder lançar raízes em nenhum. Este destino, que foi tão intensamente transmitido a Portugal, talvez tenha sido o culpado por meus antepassados se apegarem com tanto desespero àquele pedaço de terra que se chama o sertão. E eu também estou apegado a ele... (...) Para nós, apenas um mundo pequeno, medido segundo nossos conceitos geográficos. E este pequeno mundo do sertão, este mundo original e cheio de contrastes, é para mim o símbolo, diria mesmo o modelo de meu universo. Assim, o Cordisburgo germânico, fundado por alemães, é o coração do meu império servo-latino.”

Em Gênova, em 1965.

sábado, 26 de maio de 2012

Devaneios I



Que trabalho dificílimo deve ser este de sustentar um regime imaginário que não descansa nunca. Estar sempre alerta, sempre a produzir, desejando um dia maior que ele de fato é, querendo um fogo sempre aceso. Uma luz sempre a iluminar os caminhos. É possível que pessoas vinculadas a esta forma de “mundo” devem “apenas” sonhar durante as noites. Talvez quisessem mesmo eliminar as noites. Essa “vigilância” opressiva deve fazê-las, inclusive, temer a noite, os sonos e os sonhos.  Bachelard ensina que o sonho noturno “descansa apenas o corpo físico”e que “só raramente ele põe a alma em repouso”; o que descansaria a alma, ou o corpo inteiro, seria o devaneio diurno, o sonho acordado, sem onipresentes projetos e preocupações do imaginário do nosso tempo.

Sonhar, é claro, abre as portas para todos os fantasmas, que, como sabemos, não gostam de ser controlados. O homem dos nossos dias tem, sim, muito medo de sonhar, mesmo que seja à noite, quando se entrega aos braços de Morfeu, ainda que em boa companhia feminina. Por isso é tão importante essa descida lenta e segura, conscientemente esbarrando nas fronteiras das sombras do inconsciente, rumo ao devaneio diurno, ao repouso das águas, tão femininas águas. É na experiência desse devaneio que a alma do homem repousa, tranquila e sem medo, nos braços da mãe terra, digo, água, digo, nos braços de uma mulher.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Muitas Minas Gerais I


Diamantina

Gruta de Maquiné

Minas há muitas; Gerais, então...

Em Ave, palavra, livro publicado postumamente, João Guimarães Rosa fala de Minas Gerais, o estado da federação brasileira em que nasceu.

De lá, resumindo, digo, deixando o melhor para depois, um pouco das "muitas Minas" :

1) “a Minas geratriz, a do ouro, que evoca e informa, e que lhe tinge o nome”;

2) “a Mata cismontana, molhada ainda de marinhos ventos, agrícola ou madeireira, espessamente fértil”;

3) “o Sul, cafeeiro, assentado na terra-roxa de declives ou em colinas que européias se arrumam, quem sabe uma das mais tranqüilas jurisdições da felicidade neste mundo” ;

4) “o Triângulo, saliente avançado, reforte, franco”;

5) “o Oeste, calado e curto nos modos, mas fazendeiro e político, abastado de habilidades”;

6) “o Norte, sertanejo, quente, pastoril, um tanto baiano em trechos, ora nordestino na intratabilidade das caatingas, e recebendo em si o Polígono das Secas”;

7) “o Centro corográfico, do vale do rio das Velhas, calcário, ameno, aberto à alegria de todas as vozes novas” e

8) “o Noroeste, dos chapadões, dos campos-gerais que se emendam com os de Goiás e da Bahia esquerda, e vão até ao Piauí e ao Maranhão".

Machado

Proximidades de Serra das Araras



Nina



To be young, gifted and black,
Oh what a lovely precious dream
To be young, gifted and black,
Open your heart to what I mean

In the whole world you know
There are billion boys and girls
Who are young, gifted and black,
And that's a fact!

Young, gifted and black
We must begin to tell our young
There's a world waiting for you
This is a quest that's just begun

When you feel really low
Yeah, there's a great truth you should know
When you're young, gifted and black
Your soul's intact

Young, gifted and black
How I long to know the truth
There are times when I look back
And I am haunted by my youth

Oh but my joy of today
Is that we can all be proud to say
To be young, gifted and black
Is where it's at


NINA SIMONE.