segunda-feira, 19 de março de 2012

O mensageiro Hermes



"O rancho era na borda-da-mata. De tarde, como estava sendo, esfriava um pouco, por pejo do vento - o que vem da Serra do Espinhaço - um vendo com todas as almas. Arrepio que fuchicava as folhagens ali, ia lá adiante, longe, na baixada do rio, balançar esfiapado o pendão branco das canabravas. (...) Me deu saudade de algum buritizal, na ida duma vereda em capim tem-te que verde, termo de chapada. Saudades dessas respondem ao vento, saudades dos Gerais. (...) E escutei o barulho, vindo de dentro do mato, de um macuco - sempre solerte. Em mês de macuco ainda passear solitário - macho e fêmea desaparelhados, cada um por si" (Riobaldo).

Aqui Hermes vai soprando as notas da Canção de Siruiz, o arranjado destino do herói.

Elle est toujours ici pour moi



I Can't Stop Loving You



(I can't stop loving you)
I've made up my mind
To live in memory of the lonesome times
(I can't stop wanting you)

It's useless to say
So I'll just live my life in dreams of yesterday
(Dreams of yesterday)
Those happy hours that we once knew

Tho' long ago, they still make me blue
They say that time heals a broken heart
But time has stood still since we've been apart

(I can't stop loving you)
I've made up my mind
To live in memory of the lonesome times
(I can't stop wanting you)

It's useless to say
So I'll just live my life in dreams of yesterday
(Those happy hours)
Those happy hours
(That we once knew)
That we once knew

(Tho' long ago)
Tho' long ago
(Still make me blue)
Still ma-a-a-ake me blue

(They say that time)
They say that time
(Heals a broken heart)
Heals a broken heart
(But time has stood still)
Time has stood still
(Since we've been apart)
Since we've been apart

(I can't stop loving you)
I said I made up my mind
To live in memory of the lonesome times
(I can't stop wanting you)
It's useless to say
So I'll just live my life of dreams of yesterday
(Of yesterday)

domingo, 18 de março de 2012

Rio não se corta com machado


Doce sopro de alecrim dourado de lua
Não me deixe aqui sozinho riachinho
Cachoeiras caindo indo lá esbarrar
Para não mais se saber notícia nenhuma
De riacho nenhum nenhum
Nada não pode ser esse murmurar
Alecrim dourado, velho velho
Faça parar.
Faça.
Se de novo renascer das águas todas
Todo farfalhar dos verdes verdes
Nunca mais há de ser o mesmo rio
E mesmo assim também outro nem
Nem e nunca tampouco jamais se
Alecrim dourado
Nenhum nenhum
Foi semeado
Foi.
Fé.

Missa das onze e meia


4º Domingo da Quaresma
18 de março de 2012

Amanhã, 19 de março, é dia de São José, o carpinteiro esposo de Maria.

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Nota de pesar:
Misteriosamente, o Governador do Estado comemorou seu aniversário hoje, 18, na missa. Ele nasceu a 7 de março. Sentou-na primeira fila, cercado de Altas Autoridades, com a igreja tomada de seguranças armados. Foi ele mesmo quem leu as preces da comunidade, e não me pareceu nem um pouco constrangido. Terminada a celebração, após receber flores e elogios da Igreja, saiu escondido para não ver a manifestação de Professores da rede pública que, do lado de fora, cobravam o cumprimento da lei do piso salarial.


sábado, 17 de março de 2012

Juntos, em Berlim

João Guimarães Rosa e Aracy Moebius de Carvalho ouviram juntos, em Berlim. Ele, depois, ainda ouviu sozinho, a pedido dele mesmo. Creio que ouvia, ainda, naquela última madrugada de domingo, antes que Ara saísse para a missa.





Espaços vividos e que voltam, na "poética migrante".

quinta-feira, 15 de março de 2012

Versão Zero

Dona Versão, a Primeira, já recebe críticas a esta altura. Saiu. Eu mesmo a levei até àquela pessoa que irá aplicar-lhe, coitada, os corretivos necessários. Coitada, pois a culpa pelos seus defeitos não é dela, é minha, filha minha que é. Estava que era um esqueleto só, encaveirada e pálida, mas, arre, aaaaaah, que os olhos brilhavam de um vivo assim, ara, ora, se brilhavam. Queriam que querem ser e significar, mostrar aquela pequenina luz, ora, ora, capaz de fazer o mundo. Está, nos entantos, coitada, muito frágil.

Como mudou, que coisa é isso! Quase nenhuma das ideias iniciais aparecem naquele texto... É... Aquele texto... Acadêmico. O texto está endireitado demais, limpo demais, arranjado demais. Eu sei, aprendi com Câmara Cascudo: "Barro também é caranguejo". De qualquer forma, tenho tempo ainda para sujá-lo. Ou melhor, sujá-lo de novo, devolver o barro ao caranguejo, as folhas ao pátio.

Foi.


quarta-feira, 14 de março de 2012

O travessão

- Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem, não. Deus esteja. Alvejei mira em árvore, no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto" (Riobaldo).

terça-feira, 13 de março de 2012