domingo, 19 de fevereiro de 2012

Missa das onze e meia


7º Domingo do Tempo Comum
19 de fevereiro de 2012

"Quem eram aqueles quatro homens que levaram o paralítico até ele em Cafarnaum, entrando pelo telhado?".

sábado, 18 de fevereiro de 2012

As matérias

"Aquilo era a tristonha travessia, pois então era preciso. Água de rio que arrasta. Dias que durasse, durasse; até meses. Agora, eu não me importava. Hoje, eu penso, o senhor sabe: acho que o sentir da gente volteia, mas em certos modos, rodando em si mas por regras. O prazer muito vira medo, o medo vai vira ódio, o ódio vira esses desesperos? - desespero é bom que vire a maior tristeza, constante então para o amor - quanta saudade... -; aí, outra esperança já vem... Mas, a brasinha de tudo, é só o mesmo carvão só. Invenção minha, que tiro por tino. Ah, o que eu prezava de ter era essa instrução do senhor, que dá rumo para estudar dessas matérias...", JGR, em G.S.:V, p. 248.  

Devolver o escrito à fala

Miguilins II

Luas de mel, por Brasinha

Música muito antiga



Não devia, mas não resisti e arranjei palavras para a antiga valsa do Souzinha:

Riozinho do meu destino
Quer mais água às quais se juntar;
Como espelho me faz recordar
De mim mesmo quando menino.

Tantas noites me viram chorar,
Era o medo de não ter outro dia:
Nesta noite o mundo acabar...
Na lembrança o soluço sumia.

Era tempo de sonhos compridos,
Em uma casa com telhas escuras.
Tudo alargava os sentidos
Do menino em suas lonjuras.

A cidade do coração

Caminhando pelas ruas de Cordisburgo, circulando a capela de São José, sentado no banco em frente à estação do trem, o que equivale estar diante da casa em que Guimarães Rosa viveu sua infância, observando, de dentro, o desenho da casa... E, de fora, sua aparência... Estirando a vista pelos campos em volta, os pastos, os caminhos... Conversando com as pessoas do lugar... Constatando a presença insistente e nuclear de crianças em seus textos... Ouvindo o discurso de posse na Academia Brasileira de Letras....Já não posso escapar de uma ideia quase fixa: está ali a razão de tudo. JGR considera a posse na ABL como uma espécie de resgate da dívida que, parece, aceitava ter com o lugar onde nasceu e viveu os primeiros anos. As palavras travessão (que indica a fala de um personagem num texto literário) e travessia (polissêmica, mas com um centro em “passagem”, “atravessamento”) ganham nova possibilidade de significação quando se lê, mas, principalmente, quando se ouve o discurso de posse na Academia. Era uma espécie de “salvamento”, a obra de JGR. Ele e o sertão, juntos, encantados. 

Miguilins I